15 de janeiro de 2014

O Benfica

Sou do Benfica desde que me lembro de ter memórias.

Arrisco mesmo dizer que sou do Benfica desde que nasci.

Lembro-me de como para mim aos 4 anos era difícil entender como é que outras crianças como eu não tinham essa afectação sentimental pelo Glorioso.

Lembro-em de achar inconcebível e totalmente desprovido de senso que alguém sentindo um apelo desportivo, o sentisse por outro clube. Tipicamente - naquele tempo - pelo Sporting ou pelo Belenenses (de forma menos frequente).

Tenho memórias relacionadas com o Benfica desde a minha mais tenra idade.

Néné, Stromberg, Pietra, José Luís, Carlos Manuel, Shéu, entre outros, eram nomes que ouvia lá por casa. Das camisolas da Shell, da venda do Chalana, do fecho do 3.º anel, das noites europeias à 4.ª feira, das festas dos títulos, dos protestos do meu pai nas derrotas (nas não vitórias).

Lembro-me das minhas estreias relacionadas com o Benfica.

Do primeiro jogo ao vivo, do primeiro jogo no Estádio da Luz, do primeiro jogo à noite no Estádio da Luz.

De assistir aos treinos do futebol e de ver os jogadores de outras modalidades a fazê-lo ao pé de nós, adeptos e sócios.

Das vitórias dessas modalidades, em particular do basquetebol e do hóquei em patins, da natação, do atletismo, do nascimento do futsal, do ciclismo, enfim, das vitórias, mas também das derrotas.

Lembro-me do Fernando Martins, do João Santos, do quase do Alexandre Alves, do Jorge de Brito, do Manuel Damásio, do quase do Jorge Tadeu, do Vale e Azevedo, do Manuel Vilarinho e do Luis Filipe Vieira.

Lembro-me de entrar no estádio da Luz para pagar as quotas e aproveitar para espreitar a sala de troféus. Ver a maquete do estádio da Luz.

Lembro-me de antes de cada exame da faculdade dar uma volta ao estádio para me inspirar. De sair a correr dos exames para chegar a tempo de assistir nem que fosse à 2.ª parte do jogo no estádio.

Lembro-me de estarmos a ganhar por 4 e de se protestar porque o último golo só aconteceu em cima do minuto 90.

Lembro-me fundamentalmente de ser daquilo que ainda hoje sou.

Do Benfica.

E disso me envaideço.


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